A percepção da morte quase que me mata por si só. A noção de fim corrói-me até ao mais íntimo de mim. talvez por adorar viver e por sentir que isto de viver todos os dias vale muito a pena. É uma pena acabar um dia. Este medo que me assalta em noites que não se anunciam deixa-me intrigado. Apresenta-se pela calada, trai-me a calma e afasta-me do sono. É um medo egoísta. Muitos têm medo de ver morrer quem amam. Mais medo até que a própria morte. Eu tenho mais medo de morrer que ver morrer, com uma única excepção, que é alguém muito acima de qualquer medo ou sentimento humano. E vou seguindo neste terror inconstante. Eu Tenho medo de morrer. A noção de fim dá cabo de mim. É aqui que invejo verdadeiramente quem têm fé num deus qualquer. Esta coisa de saber que, num dia, num momento, deixarei de ser eu, deixarei de pensar, de sentir, de viver é um tormento. Não sei lidar com esta falha arrogante que o ser humano tem. O aperto começa com o pensamento a desviar-se um segundo a pen...
Filme de Tatia Pilieva "First kiss" É o primeiro beijo o único beijo que importa. É tudo. É quente e deixa marcas nos lábios da alma. É o mais forte, o mais intenso. É o primeiro beijo que conta. O primeiro beijo não se esquece, não se perde no tempo. Tem sabor a eternidade e não é perfeito na sua perfeita forma de ser. O primeiro beijo é tão mais que o primeiro beijo. São os toques no cabelo, são os olhos que se encontram de perto pela primeira vez. É o sorriso nervoso e o «quero-te» em silêncio. É a explosão que se dá, é o que damos a quem se dá. É o medo, é a pressa, é o toque na cara, a mão na cintura e um querer louco que cada segundo dure um pouco mais de um tempo que, a correr, passa tão devagar. O primeiro beijo nunca é "só" interessante para quem o sente. Nunca é suficiente mas nunca sabe a pouco. É tudo o que importa e é quando tudo acontece. É quando sei que te vou amar uma vida inteira mesmo que dure só uma noite. É a minha boca n...
Death does not concern us, because as long as we exist, death is not here. And when it does come, we no longer exist. - Epicuro. O que fariamos se tivessemos a Morte em todas as nossas decisões? Tê-la, não como um peso angustiante mas sim uma calma certeza, sabendo que não a teríamos de viver pois quando ela chegar nós já não estaremos. Começo pela morte para chegar à felicidade. Epicuro fez o mesmo caminho e dedicou a sua vida de filosofo à felicidade. A sua linha de pensamento é, para mim, adorável. Para Epicuro, «o bem - a joy - reside no prazer». Não no prazer imoral ou irrealizável, mas, como diz o próprio, no «prazer sábio», como a amizade e fazer o bem. «Joy» é a soma do prazer com a tranquilidade. Esta frase é tão bonita. Felicidade é a soma do prazer com a tranquilidade e todas as certezas são actos de fé. Infeliz de quem tem dois caminhos onde um é Prazer sem tranquilidade e o outro é Tranquilidade sem Prazer. A certeza, essa, vem da alma. É preciso confiar n...
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