"Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro."
Carlos Drummond de Andrade.
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A percepção da morte quase que me mata por si só. A noção de fim corrói-me até ao mais íntimo de mim. talvez por adorar viver e por sentir que isto de viver todos os dias vale muito a pena. É uma pena acabar um dia. Este medo que me assalta em noites que não se anunciam deixa-me intrigado. Apresenta-se pela calada, trai-me a calma e afasta-me do sono. É um medo egoísta. Muitos têm medo de ver morrer quem amam. Mais medo até que a própria morte. Eu tenho mais medo de morrer que ver morrer, com uma única excepção, que é alguém muito acima de qualquer medo ou sentimento humano. E vou seguindo neste terror inconstante. Eu Tenho medo de morrer. A noção de fim dá cabo de mim. É aqui que invejo verdadeiramente quem têm fé num deus qualquer. Esta coisa de saber que, num dia, num momento, deixarei de ser eu, deixarei de pensar, de sentir, de viver é um tormento. Não sei lidar com esta falha arrogante que o ser humano tem. O aperto começa com o pensamento a desviar-se um segundo a pen...
Death does not concern us, because as long as we exist, death is not here. And when it does come, we no longer exist. - Epicuro. O que fariamos se tivessemos a Morte em todas as nossas decisões? Tê-la, não como um peso angustiante mas sim uma calma certeza, sabendo que não a teríamos de viver pois quando ela chegar nós já não estaremos. Começo pela morte para chegar à felicidade. Epicuro fez o mesmo caminho e dedicou a sua vida de filosofo à felicidade. A sua linha de pensamento é, para mim, adorável. Para Epicuro, «o bem - a joy - reside no prazer». Não no prazer imoral ou irrealizável, mas, como diz o próprio, no «prazer sábio», como a amizade e fazer o bem. «Joy» é a soma do prazer com a tranquilidade. Esta frase é tão bonita. Felicidade é a soma do prazer com a tranquilidade e todas as certezas são actos de fé. Infeliz de quem tem dois caminhos onde um é Prazer sem tranquilidade e o outro é Tranquilidade sem Prazer. A certeza, essa, vem da alma. É preciso confiar n...
Pergunto-me: A Escrita é um poder? Quem tem a escrita como arma tem mais defesas? Ataca mais? Quem escreve consegue atingir, se quiser, as pessoas? O que magoa mais, uma carta tresloucada ou um insulto na cara ? Pergunto-me outra vez: A escrita tem um motor concreto ou navega ao sabor do vento? Se navega ao sabor do vento, porque não escrevo eu sobre tudo e sobre nada? Se tem um motor concreto.... Bom, qual é o meu, então? Porque me sento, horas a fio, a procurar - qual viciado - a sagrada delicia da escrita? E porque não a encontro? Outra pergunta: Porque consigo eu escrever toneladas de letras partindo de uma só palavra e não consigo escrever duas frases sobre temas completos? Estarei eu sub -condicionado a escrever sobre motivos concretos? Texto inacabado. Guardado nos Rascunhos desde 15 de Maio de 2010.
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